Poetando em Paraty – 1

por Paulo Rezende.

 

Poesia em Paraty

A Poesia é uma cachaça. Literalmente, e em todos os sentidos: tanto como bebida (esta de Munhoz, claro) tanto como versos que mexem com a gente (um Carlos Drummond de Andrade, por exemplo).

Para quem gosta de poesia, em verso ou em prosa, participar da Festa Literária Internacional de Paraty (a tal da Flip) é algo único.

Quer uma comparação? Você gosta de uma boa cachaça? Imagine que um amigo muito chegado seu, que você não vê há anos, liga, diz que está na cidade e que trouxe pra você uma cachaça maravilhosa, junto com um quilo do melhor tira-gosto do mundo (escolhe o seu aí; pra mim, lingüiça de Minas curtida em cima do fogão a lenha). Seu amigo chama pra tomarem uma. Quando desliga, sua mulher ( a sua, não dele) liga avisando que resolveu ir na casa de sua sogra com as crianças, e só volta amanhã. Você está solto para uma noite de cachaça e conversa fiada. A Flip? Mais ou menos assim.

Outra comparação? Imagine que você tem dezessete anos. Vai visitar sozinho aquele ramo da família que mora em outro estado. Chega lá e descobre que aquela sua priminha chata virou um mulherão maravilhoso. Toda toda pra cima de você e com os tios confiando. A Flip? Três primas assim, em regiões diferentes...

Bar o EscritorPor isso, imaginem só o tesão que fiquei (desculpem, mas é a única palavra à altura) quando fui convidado pra ir a Paraty durante a Flip, para o lançamento do livro “Prosa e Poesia: para ler e degustar”. A idéia foi do meu patrono e amigo Anselmo, que me ajudou a botar o livro no mundo: doze histórias de cachaça inspiradas pela Poesia. Olha na foto ao lado o lugar que o Anselmo me arranjou pra lançar o livro: um boteco de praia, o Bar do Escritor.

Passei uma semana de doido, entre o convite e a viagem. Não só torcendo pra que chegasse logo, mas também para que eu conseguisse estar no ônibus na hora certa: tinha um monte de compromissos que não podia deixar pra trás. Acabei largando alguns, e lá fui eu.

Primeira noite, palestras, gente diferente, altos papos, cachaça, cerveja... Mal comparando? Você tem 17 anos, um amigo do peito, um litro de cachaça, um tira-gosto e, de quebra, aparecem duas primas assanhadas (uma sua, outra dele, não que isso importe). Sua mãe viajou com seu pai. Ainda é sexta, e só voltam no domingo... Me senti assim, no primeiro dia da Flip (não comi ninguém, mas isso já não importa tanto hoje, meus 17 anos andam já bem passados). Também não fui comido, o que, para conservadores como eu, é importantíssimo, aos 17 ou em qualquer outra idade...

Continua...

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Para ler e degustar

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